terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O TEMPO É CRUEL

 A viçosa, como todas as cidades  têm  suas particularidades, histórias, fatos pitorescos e  pessoas marcam  o dia a  dia  durante décadas, as pessoas se acostumam a  ver  ou ouvir tais peripécias de historiadores, professores, músicos, vendedores, ou  alguém que faz da rua seu palco ou  sua sala de estar, fazendo com que toda comunidade tenha hora  marcada de passar, seja cantando, apitando, dançando, dizendo  prosas  que ficarão marcado para sempre.Passamos décadas acordando cedo para ouvir os versos que o seu Zumba fazia vendendo pão da padaria  de dona Senhorinha, era uma festa e até  as crianças o imitava. Quem não  lembra  o saudoso Zé  Lúcio que perambulava pelas ruas cantando e pedia esmolas fazendo versos  com a maior facilidade,e também impressionou uma geração.Quem esquecerá as trapaças de Ciço Aluado, quando estava  naqueles dias subia  os muros de motocicleta,fazia mágicas repentinas nas ruas, e quando a polícia o prendia ele abria os cadeados com um sopro e saía tranquilamente como se nada tivesse acontecido. Mais de trinta anos ouvimos os gritos do querido Mascote vendendo picolé, chegou o extra mel japonês, moça bonita não paga, mas também não leva.E outras pessoas que se tornaram lendas em nossa cidade,Bereguedé, João Panan,João Moinho,Sete Cocó,Treme-Treme,Gato em pé,Mauro Argemiro,D.Adélia, D. Rosinha cantora, D.Rogéria. D. Olivia Carnaúba, A Zefa Fateira,O Otávio Fogueteiro e tantos outros que o tempo cruel nos tirou sem deixar nada em troca.O pior é que estamos prestes a perder mais um viçosense ilustríssimo que as pessoas não se dão conta de quanto ele é importante para nossa cidade, o Gerson Leiteiro vende leite a  quarenta e sete anos, uma geração inteira foi criada comprando leite ao seu Gerson, as batidas de um pequeno bastão nos baldes de leite tornou-se um música inconfundível nas manhãs de Viçosa e infelizmente o Gerson vai deixar de vender leite no próximo dia trinta e um de dezembro de 2010, graças a Deus em vida, e o tempo fica encarregado de nos apresentar mais um marco para nossa história.

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